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em foco
TENDÊNCIAS DA COIFFUR E 2009
O que vai subir à cabeça na primavera-verão? Que cortes e penteados estarão em alta? E, na coloração, que tons vão pintar nos cabelos? Com a palavra, os hairstylists mais antenados do eixo Rio-São Paulo. As tendências das coleções das grandes marcas também ajudam a definir os hits da temporada.
Este vai ser o verão das texturas, prevê o hairstylist carioca Ricardo Moreno, do salão carioca RM Trends. Não deu outra nos desfiles das semanas de moda no Rio de Janeiro e em São Paulo, onde predominaram o efeito texturizado em tranças, coques e rabosde- cavalo. Não por acaso o maquiador paulista Daniel Hernandez criou um look inspirado no deserto para o desfile da Cavendish, no último Fashion Rio.
A trança atrás, baixa, e o alto da cabeça desalinhado reproduziram um ar desarrumado e seco. Outra onda que volta é o volume. E para isso vale até desfiar o cabelo ou simplesmente aproveitar os ondulados naturais da maioria das brasileiras. “O look do verão é o curto ou o longo ondulado, com cachos. A sensualidade do volume está em alta”, garante o maquiador paulista Carlos Carrasco. O coiffeur francês Laurent Cocq, do Salão Franck Provost, em São Paulo, concorda. “A volta da técnica de permanente ainda não ocorreu, mas já deu para notar que muitas mulheres estão deixando de alisar os cabelos com escova no dia-a-dia.”
O verão 2009 vai ser eclético, com a reedição dos visuais de várias décadas. “As tendências fazem uma viagem ao chanel dos anos 20, às ondas dos anos 40, às bananas e aos topetes dos anos 50, ao brushing e aos cachos dos anos 80, aos molhados dos anos 30 e 80, às franjas, aos lisos e às faixas dos anos 70, tudo com um toque de minimalismo dos anos 90”, resume o hairstylist paulista Paulo César Schettini, consultor da Pantene, que tem a top Gisele Bündchen como garota-propaganda. Rabos-decavalo de todas as formas – frouxos, tradicionais, com volume ou na lateral, os coques, do lado, atrás, desarrumados e desfiados, e as tranças, que remetem aos 80 predominarão. Cabelos presos, mas muito naturais. “Nada a ver com o penteado bolo-de-noiva. A mulher de hoje não quer parecer uma boneca artificial”, diz Cocq. Rudi Werner, do Werner Coiffeur, no Rio, lembra que o importante é a individualização das tendências.
“A pergunta é: que imagem você quer passar? O chanel transmite a idéia de uma mulher mais focada, com personalidade. Já um cabelo em camadas passa alegria, movimento, leveza”, explica. De fato, em um mercado cada vez mais concorrido e exigente, criar visuais cada vez mais personalizados pode ser o diferencial.

O curto promete
Seja como for, verão pede cabelos descontraídos, mais adequados ao clima de praia, sol e vento. Ricardo Moreno aposta no repicado em camadas, com um ar meio pantera, estilo anos 70. E as ondas, segundo ele, estarão em alta até para os longos. Já nos crespos, a ordem é redefinir os cachos com técnicas de tratamento e produtos, sem pensar em alisá-los. O comprimento médio também tem sua vez em desfiados e degrafilados, que permitem uma mudança instantânea de look. Ora mais curtos e ralos, ora mais longos e volumosos. Os dégradés contínuos, com franja e nivelação marcada desde o ombro, dão um ar supermoderno ao visual. Mas os curtos são mesmo a grande aposta para a temporada. Os novos cortes vêm com pouco mais de assimetria. Segundo Carrasco, há uma tendência forte para os curtinhos com nuca batida, quase masculinos. O maquiador Ricardo dos Anjos também acredita que a mulher já percebeu que sua força não está só nos cabelos e que pode ter a liberdade de mudar. “Os curtos surgem em todos os estilos, do chanel clássico ao corte desfiado, como o da atriz Mariana Ximenes, que já virou um ícone.” De fato, há forte tendência para os fios encurtarem. “Mesmo os mais longos, já estão na altura dos seios”, garante Celso Kamura. Para o hairstylist paulista, os cabelos vêm com movimento, mais geométricos e bem desfiados, para dar um ar de rebeldia mesmo. As franjas continuam, porque são femininas e rejuvenescem. As desfiadas e mais longas do que a nuca e o alto da cabeça prometem virar o hit da estação. “O rosto fica deslumbrante com uma franja lisa, porque mistura texturas”, explica Paulo Persil, do RW Persil Hair Design, em São Paulo. Segundo ele, esse recurso vale até para crespos.

Apostas das grandes marcas
A Mix-Use criou a coleção Backstage Pop Art, em que símbolos estéticos da pintura, da escultura, do teatro e do circo serviram de inspiração para penteados, coloração e cortes. Uma das tendências é a Pop Journal, inspirada no grafismo dos anos 50, que toma forma principalmente nas imagens de ícones do cinema e da música, das pin-ups às atrizes. Nas cores, contrastes harmoniosos entre claro e escuro. Em Pop Sculpt, os penteados, como o próprio nome já diz, vêm esculpidos, polidos, com looks arrojados, antigravitacionais e futuristas. A transparência produz um dégradé quase monocromático. Na coloração, predominam os louros bege e pérola, marrons cacau e âmbar, cobres e vermelhos. Fundos escuros permanecem, mas com variações de cor nas pontas, previamente clareadas. Segundo Paulo Ricardo, diretor artístico da Mix-Use, as mechas virão repaginadas.
“Elas aparecem em técnicas como sun kiss, sunblock, sun touch, fios de ouro, duo ors, summer ligth, espatuladas, esponjadas, californianas e ponte vive. Mas o descolorante precisa respeitar a camada lipídica do fio, do contrário a sensibilização será demasiada e a cor pode nem alcançar a fixação”, explica Paulo Ricardo. Ton-sur-ton ainda é a melhor pedida.
Por isso, trabalhar com volumes diferentes de oxidante pode criar efeitos naturais. A equipe criativa de Mahogany Hairdressing e a AlfaParf Milano lançaram a coleção Art Cub Esque, inspirada nos princípios da arte cubista de Picasso, com cinco técnicas de corte e cor – Symetric Geometries, Irregular Cube, Rose Contrast, Harmonic Disconnection, Red Separations. As mechas embutidas em formas de cubos traduzem efeitos nos cortes de cada look. A Wella Professionals, em sua coleção anual, desenvolveu as tendências Wonderland, Mineral Splendour, Factory Lyrics. Em Wonderland, os cabelos aparecem soltos e desestruturados, curtos ou longos, com texturas diferentes. A cor parte de uma base, acrescida de suaves tons pastel. Na Mineral Splendour, a curva torna-se ponto principal do corte. Seja na franja ou na nuca, é ela que define a forma. Cores metálicas em técnicas de tom-sobre-tom dão brilho aos fios. Na Factory Lyrics, o contraste predomina. Texturas lisas e cacheadas, cortes gráficos e quebrados, formas assimétricas e mistura de cores, criando brancos sujos e pretos esfumaçados. Para a estação do sol, a maior aposta da Wella é no brilho do ouro.
Duas novas nuances de Color Touch, o castanho claro dourado marrom (5/37) e o louro escuro dourado marrom (6/37), prometem transformar-se nos hits da temporada. Paulo Persil desenvolveu a nova coleção da Niasi Professional para a próxima estação. As cores variam em tons marrons frios, como avelã, capuccino amargo, os castanhos amendoados e os louros, partindo de nuances bege. “Os tons chapados ou monocromáticos estarão totalmente fora de moda, enquanto as cores uniformes garantem naturalidade com as pontas levemente mais claras”, explica Persil. Nessa estação, não haverá mechas, e sim reflexos, mais finos ou levemente marcados sobre nuances. O hairstylist aponta os tons de bege e mel e os louros naturalmente clareados como os principais hits. “A novidade é a mais recente técnica de reflexos, que chamo de baby kiss.
A base natural levemente clareada em dégradé, tom-sobre-tom, leva um matiz de bege até as pontas, resultando em louro bem suave, que rejuvenesce.” Verão sempre traz de volta o eterno loiro. “A moda agora é obter um louro em cima de reflexos muito fininhos, deixando o cabelo tomsobre- tom, mais chique e mais iluminado”, revela Kamura. No Salão Franck Provost, a coleção para a próxima estação vem com o tema Paris Blonde. Trata-se de um louro bem claro, mas com técnica diferenciada, perfeito para as clientes que não têm muito tempo. “São como pinceladas em uma tela. Tecnicamente, criamos efeitos para que quando a raiz cresça, a mulher não precise ficar escrava da manutenção”, explica Laurent.

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